UMA OPERAÇÃO COMPLETA DE LAWFARE
A tarifa imposta por Trump de 50% sobre exportações brasileiras não é só uma medida econômica. É um ato de guerra simbólica e jurídica, que mobiliza retórica, pressão diplomática, desinformação, chantagem estratégica e perseguição ideológica.
Ao analisarmos pelas seis dimensões do Lawfare4All.org, percebemos que o tarifaço é um exemplo cristalino de como a lei, a diplomacia e o comércio podem ser transformados em armas políticas de alto impacto.
⚖️ 1. Lawfare as Persecution
O tarifaço pode ser interpretado como uma forma de perseguição econômica disfarçada de política comercial. A medida foi anunciada pouco após decisões judiciais contra aliados de Trump no Brasil, e se baseia em supostas ameaças à democracia americana – sem provas ou base legal em tratados bilaterais. Trata-se de um ato punitivo, voltado contra o atual governo brasileiro e seus alinhamentos ideológicos, com potencial de gerar sofrimento econômico a setores inteiros da população.
A sanção comercial é usada como arma contra um governo eleito democraticamente, criando um ambiente de intimidação jurídica e diplomática.
🧠 2. Lawfare as Disinformation
Trump utiliza uma retórica de “defesa da democracia” para justificar o tarifaço, mas sua narrativa se ancora em falsas equivalências e desinformação calculada. Ao associar a cassação de Bolsonaro à censura política, ele distorce os fatos jurídicos brasileiros para alimentar sua base com teorias conspiratórias. O discurso mistura nacionalismo econômico com alegações de perseguição ideológica, criando um ambiente desinformativo que legitima o abuso de poder.
Disfarça-se uma manobra econômica sob o véu de defesa moral. O efeito é confundir, dividir e polarizar.
🎮 3. Lawfare as Game Theory
O movimento tarifário pode ser interpretado como parte de um jogo não cooperativo, no qual Trump usa a ameaça econômica como ficha de barganha. Trata-se de uma jogada estratégica que busca:
- Enfraquecer governos progressistas no hemisfério sul,
- Estabelecer uma posição dominante nas futuras renegociações comerciais,
- Forçar alinhamentos geopolíticos por coerção econômica.
É também uma forma de sinalizar poder para aliados internos e externos, ao demonstrar disposição para agir unilateralmente. A medida alimenta dinâmicas de chantagem diplomática e instabilidade calculada.
Lawfare aqui é chantagem disfarçada de proteção econômica.
💰 4. Lawfare as Neoliberalism
O tarifaço se contradiz com a retórica liberal clássica, mas se alinha com a lógica neoliberal imperial: utilizar o poder estatal não para proteger o povo, mas para abrir ou fechar mercados conforme interesses geopolíticos e corporativos. Ao impor sanções unilaterais, Trump reconfigura o campo de atuação de multinacionais, forçando realinhamentos de cadeia produtiva, deslocando investimentos e minando resistências locais à penetração externa.
Neoliberalismo armado: o Estado intervém, mas só para beneficiar a hegemonia.
🧱 5. Lawfare as Ideology
A medida reflete um projeto ideológico travestido de neutralidade econômica. A retórica “América em primeiro lugar” oculta um programa de revanche contra governos que se afastam da lógica ultraliberal e autoritária. O tarifaço é um ataque simbólico ao modelo de integração latino-americana, ao BRICS, e a toda forma de soberania econômica que escape à doutrina imperial.
A lei é instrumentalizada para punir ideologias divergentes – esse é o cerne do lawfare ideológico.
💣 6. Lawfare as Sabotage
O tarifaço pode ser lido como um ato de sabotagem estratégica, pois visa enfraquecer o Brasil em múltiplos níveis:
- Obstruindo o comércio exterior,
- Gerando instabilidade cambial,
- Dividindo a opinião pública brasileira,
- Minando a confiança em parceiros externos.
É um ataque que não mira apenas os produtos exportados, mas a estabilidade política e reputacional do país no cenário global. A sabotagem não é explícita: ela opera por meio de instrumentos legais, aparentemente “normais”.
Aqui, o lawfare é sabotagem silenciosa com aparência de diplomacia.
